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Pesquisador da Embrapa desenvolve método para prever com muita antecedência geadas em MS

Pesquisador da Embrapa desenvolve método para prever com muita antecedência geadas em MS


Pesquisador da Embrapa desenvolve método para prever com muita antecedência geadas em MS

O pesquisador Danilton Flumignan, da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, desenvolveu um método capaz de prever com bastante antecedência a ocorrência de geadas na região sul de Mato Grosso do Sul.

O pesquisador explica que pelo método é possível saber ainda em dezembro a temperatura mínima aproximada que será atingida em junho. Essa informação é atualizada no mês de maio, quando é confirmada ou não a ocorrência de geada.

Grande preocupação para a segunda safra de milho

Flumignan revela que, segundo dados coletados até o momento, a região não deverá sofrer com geadas este ano.

O pesquisador comenta que, especialmente no mês de junho, as geadas são motivo de grande preocupação dos produtores de milho de inverno, também chamada de safrinha. “Naquele mês, o milho ainda se encontra em uma fase sensível de seu desenvolvimento ea geada pode ser prejudicial à cultura”, esclarece o pesquisador, frisando que a extensão do prejuízo está associada à intensidade da geada.

O milho de segunda safra é a principal cultura de inverno de Mato Grosso do Sul. Neste ano, dados do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (SIGA) apontam para um aumento de 5,73% na área de plantio, que deve subir de 1,814 milhão de hectares para 1,918 milhão de hectares. Projeta ainda um incremento na produtividade em torno dos 11,5%, de 70,1 sacas por hectare para 78,2 sacas por hectares, o que deve elevar a produção em 14,8% frente a 2018, saltando de 7,838 milhões de toneladas para 9,002 milhões de toneladas.

Essa projeção, se comprovada após o encerramento da colheita do cereal, indica que os agricultores sul-mato-grossenses deverão obter neste ano a terceira maior safra de milho de inverno do estado. O recorde é do ciclo 2016/2017, quando foram colhidas 9,816 milhões de toneladas. Na segunda posição aparece a temporada 2014/2015, com 9,040 milhões de toneladas.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) estabelece que, nessa região, o milho safrinha deve ser semeado até 10 de março a fim de minimizar os riscos de perdas nas lavouras.

O engenheiro agrônomo da Embrapa Gessi Ceccon, especialista em cultivo de milho safrinha, explica que existem três tipos de ciclos de híbridos de milho: superprecoce, precoce e normal. No caso de lavouras com híbridos de milho superprecoce, a geada em junho não causa prejuízos porque o milho já terá formado grãos, prontos para colheita. “Entretanto, para os de ciclo precoce e normal, a geada em junho acarreta menor enchimento dos grãos e, consequentemente, menor produtividade”, destaca Ceccon.

Como é o método para prever as geadas

O sistema usa dados de chuva medidos na estação agrometeorológica Guia Clima da Embrapa Agropecuária Oeste, localizada em Dourados (MS), e da temperatura da superfície do mar fornecidos pela agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).

Com índice de confiança de 95%, o sistema é capaz de prever em dezembro, e com uma margem de erro conhecida de ±2,3ºC, qual a temperatura mínima deverá ocorrer em junho, no sul do Mato Grosso do Sul. Baseando-se nessa temperatura prevista e na escala de uma tabela, é possível prever se ocorrerá a geada e com qual intensidade.

Sem geada este ano

Segundo Flumignan, para 2019 o sistema específico de previsão de geadas para o sul de Mato Grosso do Sul demostrou que a temperatura mínima prevista para junho é de 10,9 ºC. “Considerando-se a incerteza associada ao modelo matemático que faz a previsão, estima-se que a temperatura poderá ficar entre 8,6 ºC e 13,2 ºC. As geadas geralmente ocorrem com temperaturas abaixo de 4ºC, e somente abaixo desse patamar é que podem vir a ser classificadas como fraca, moderada ou forte”, explica o pesquisador.

Em 2018, a previsão divulgada foi a de risco de geada moderada em junho, com temperatura mínima prevista de 5º C, podendo oscilar entre 2,7 e 7,3 ºC. Os dados divulgados pela previsão se confirmaram e a temperatura mínima registrada em junho de 2018, foi de 6 ºC, em Dourados, e 5,2 ºC, em Rio Brilhante.

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