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Brasileiro começa a sentir os impactos da alta do dólar

Brasileiro começa a sentir os impactos da alta do dólar

Data de Publicação: 28 de novembro de 2019
Petrobras aumentou o preço da gasolina e do etanol; valor de produtos eletrônicos também pode subir

O consumidor brasileiro não passará incólume à aceleração do dólar – que ontem bateu recorde de cotação pelo terceiro dia seguido, sendo negociado a R$ 4,259. A valorização da moeda americana influi no preço do petróleo e ontem, a Petrobras anunciou que o litro da gasolina ficará R$ 0,0737 nas refinarias – uma alta de 4%.

O etanol também subirá R$ 0,08 centavos. Foi o segundo reajuste da gasolina em menos de 10 dias. No último dia 19, o preço subiu 2,8%. O litro da gasolina para as refinarias ficará em R$ 1,91. Já o preço ao final ao consumidor dependerá de quesitos com margem de lucros de revendedoras e distribuidoras, impostos etc. A alta no valor dos combustíveis poderia ser pior se houvesse alta também no preço do diesel. Nesse caso, o custo de transportes – de cargas, pessoas e alimentos – poderia ser imediatamente afetado.

Mas há outros setores que podem sentir o impacto do câmbio mais cedo. Produtos importados, como boa parte dos celulares e computadores, e certos alimentos e bebidas podem ficar mais caros. Porém, o economista Mauro Rochlin, professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), acredita que os produtos importados não devem apresentar alta expressivas antes do Natal.

 "Os empresários compram os produtos com antecedência. A alta mais recente só vai ter impacto no início de 2020", afirma.

Empresas

A alta do dólar também é negativa para quem vai viajar para o Exterior. A esses, Rochlin aconselha comprar dólares aos poucos para diluir as oscilações da moeda e obter um preço médio razoável ao fim das compras.

Já o advogado Marcelo Godke, professor do CEU Law School, vê um lado positivo na situação.

"As operadoras que atuam com viagens internacionais perdem atividade, o que pode ser bom para o Brasil, já que as pessoas passam a viajar mais para dentro do país", ressalta Godke.

O especialista também acredita que a alta do dólar aqueça o consumo de produtos nacionais, o que gera empregos na indústria. O câmbio também favorece os exportadores, sendo negativo para os empresários que precisam comprar insumos e equipamentos em dólar.

A longo prazo

Para Mauro Rochlin, a permanência da moeda norte-americana em patamar elevado em longo prazo pode "desarrumar" a economia brasileira. Isso porque a alta de preços eleva a inflação e, por consequência, os juros.

"Os juros vão subir e a retomada econômica encontrará dificuldades, principalmente quanto à geração de empregos", analisa.

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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