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Final de campeonato em MS acaba em choradeira e crianças ainda recebem medalha de emoji triste: 'Revoltante'

Final de campeonato em MS acaba em choradeira e crianças ainda recebem medalha de emoji triste: 'Revoltante'

Data de Publicação: 1 de julho de 2019 Pais de alguns participantes usaram as redes sociais para discutir o que chamaram de "bullying, chacota e menosprezo". Escolinha diz que fará evento com novas medalhas.

Faltavam poucos minutos para onze da manhã, quando a fila com as crianças começou a ser formar em uma escolinha de futsal no bairro Monte Castelo, região norte de Campo Grande, nesse domingo (30). Os 12 meninos receberam a medalha de 2° lugar. O detalhe é que atrás vinha o emoji triste e tudo acabou em choradeira, deixando os pais revoltados e que inclusive usaram a rede social para discutir o que chamaram de "bullying, chacota e menosprezo".

"As crianças saíram da fila e algumas já começaram a chorar. São meninos de 7 anos, que já tinham perdido e ainda fazem isso. Foi muito constrangedor. Eu ia dizer: meu filho, o importante é competir e, que se perdeu, não precisa chorar. Levanta a cabeça que, da próxima vez, poderá dar o seu melhor de novo. Mas, diante ao que aconteceu, nem tive como falar nada. Uma mãe foi lá e começou a recolher todas as medalhas e eu fui ajudar", afirmou a assistente financeira Nagela de Oliveira, de 35 anos.

Conforme a mãe, antes de entregar a medalha, ela fez uma foto para mostrar ao marido e também cobrar da organização. "Pra piorar ainda tinha a medalha de primeiro lugar, com a carinha feliz e ainda a premiação de melhor jogador e melhor goleiro. Então, teve caso de criança que perdeu mas ganhou também a carinha feliz por ter jogado melhor. O Davi ficou me perguntando, dizendo que queria saber porque ele era perdedor e o coleguinha tinha duas medalhas", argumentou Oliveira.

Crianças participaram de campeonato em MS e receberam medalha com carinhas de emoji — Foto: G1 MS

Crianças participaram de campeonato em MS e receberam medalha com carinhas de emoji — Foto/Reprodução

Agora, ainda segundo Nagela, será feito um campeonato entre pais e filhos, com novas medalhas a serem confeccionadas. "Nós cobramos uma resposta no local e um responsável apenas disse que foi uma tentativa infeliz de inovar o que aconteceu, porém, ele apenas cedeu a quadra. Só que ele viu lá as crianças chorando e não fez nada. Foi revoltante, péssimo e constrangedor", disse.

A professora Caroline Correia Maciel, de 33 anos, disse que o filho da prima dela participou do evento. "Acho que ninguém sabia como era essa medalha e todos acharam um absurdo, deu até confusão. Não é essa a relação do esporte que as crianças tem que ter. Quando minha irmã me mandou logo cedo, achei que fosse brincadeira, dei até risada. Mas, depois eu vi que era algo sério e que estavam mesmo era tirando sarro das crianças", comentou.

Um servidor público, de 40 anos, usou as redes sociais para fazer uma postagem nas redes sociais, que teve dezenas de compartilhamentos e comentários. "Eu sou professor de educação e minha esposa é pedagoga. Nós estávamos discutindo isso. Não cabe vincular aquele rostinho na medalha. Mesmo perdendo, teria que ter um rostinho feliz. As crianças já tem o discernimento de saber o que é triste e feliz e, ao invés de valorizar e dar uma medalha padrão, quiseram fazer algo diferente, porém constrangedor. Nós devolvemos tudo para eles", lamentou.

Psicopedagoga diz que competição não é para diminuir quem não ficou em primeiro lugar

A psicopedagoga e professora atuante, Laudiana de Avelar Surubi, de 42 anos, ressaltou que a proposta de tais atividades não deve diminuir quem não ficou em primeiro lugar. "Sou totalmente contra a isso e temos que ensinar as crianças a serem verdadeiros competidores, já que uma atitude como essa diminui a autoestima e causa bloqueios cognitivos na criança. Toda vez que olhar a medalha, vai lembrar e isso mexe com o psicológico, ela perde inclusive o interesse de participar de atividades em conjunto", explicou.

Ainda de acordo com a profissional, os pais ou responsáveis também se envolvem e ficam afetados psicologicamente. "Eles também colocam em xeque a parte profissional dos envolvidos, então o que é lúdico se torna uma problema e é necessário tomar muito cuidado nestas situações. Elas não podem perder o interesse e jamais deve existir discriminação entre o ganhar e o perder", ressaltou Avelar.

O empresário que apenas cedeu o espaço para o evento e não quer se identificar, reconhece que houve frustração de muitos pais. "Sou professor na escolinha há 10 anos e nunca tive nada que desabonasse a nossa conduta. O que ocorre é que, principalmente nessa categoria, quase não tem competição para as crianças, em Campo Grande. Houve um despreparo por parte da organização que, com certeza, será corrigido e acertado. Eu não consegui comemorar com os vencedores, meninos que eu ensinei a amarrar as chuteiras e não consegui nem dormir direito de preocupação", finalizou emocionado.

Medalhas distribuídas em evento de MS — Foto: G1 MS

Medalhas distribuídas em evento de MS — Foto/Reprodução

 

Final de campeonato em MS acaba em choradeira e crianças ainda recebem medalha de emoji triste: 'Revoltante'

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